Robin Hood de volta à literatura agora em cordel

07/09/2020


Quem não conhece a história de Robin Hood? Ele vive na nossa cultura desde o século XII e seja em poema, livro ou várias versões de filmes, ganha agora o mundo do Cordel, pelas mãos de Cícero Pedro de Assis, História de Robin Hood, com ilustrações em xilogravura de Maércio Siqueira, pela Editora Cultura, Coleção Cordel na Estante. Se não conhecer, não perca esta oportunidade!

Esse herói, meio bandido, meio mocinho, que protege os cidadãos comuns da opressão do governante autoritário, "falta sempre onde está injusta a lei". É um obscuro personagem das baladas medievais - uma composição poética para ser cantada, criada pelos franceses - mas com o tempo transformou-se em lenda, a ponto de muitos acreditarem em sua existência. A mais antiga citação documentada é o poema de Peter Plowman (Pedro, o lavrador), quando aparece como herói popular.

Segundo o historiador Jacques Le Goff, as composições em que ele é protagonista surgiram, nos séculos XV e XVI, não sendo o contexto das Cruzadas como vemos nos filmes. Robin teria vivido no século XIII e XIV e seria um fora da lei que se escondia na floresta, auxiliado pelo seu companheiro João Pequeno. Juntos enfrentavam as injustiças sofridas pelos menos favorecidos praticadas pelo xerife Nottingham. Munido com seu arco e flecha, sua justiça se baseava numa espécie de direito natural, que vai de encontro à lei estabelecida se esta serve apenas aos opressores.

Robin Hood desparece por quase dois séculos e ressurge na literatura romântica, pelas mãos do escritor escocês Walter Scott, em seu livro Ivanhoé (1819), batizado como Locksley, um rebelde saxão que antagoniza com o príncipe John, usurpador do trono inglês. Mais tarde, o escritor estadunidense de livros infantis, Howard Pyle cria um livro de grande sucesso: Merry aventure of Robin Hood (1883). De lá para cá, o cinema eternizou este anti-herói muito popular, servindo também de modelo para os pistoleiros do western, muitas vezes homens honestos que por causa de uma acusação injusta se tornam foras da lei.

Em 1973 torna-se personagem infantil da Disney e agora, graças ao poeta cordelista pernambucano radicado em São Paulo, Cícero Pedro de Assis, Robin retorna ao gênero da poesia. Nosso cordel é primo das baladas medievais e romances em versos, que também já narraram as façanhas de heróis improváveis como os cangaceiros. Assim, aprendemos que cada época tem os seus marginalizados. Bandidos para uns e heróis para outros.