Adoro reconto!

07/09/2020


Os Contos de Fadas sempre nos encantaram, mas trazem também valores de uma determinada época. A possibilidade que o reconto, ou seja, uma versão diferente do conto, traz é de poder adaptar a história a uma outra realidade seja local ou cultural, com as mudanças de valores de uma nova sociedade. É uma imitação a partir de um texto modelo e, por vezes, pode ficar mais interessante que o original, embora respeite sua estrutura. Por isso, me chamou a atenção o livro A Branca de leite, de Christiane Nóbrega.

A autora é de Brasília, e, em seu segundo livro, recriou o Conto alemão da Branca de Neve, deixando-o mais juvenil e abordando a questão da intolerância a lactose (a autora é mãe de três com esta alergia ao leite) e o protagonismo feminino, quebrando o paradigma dos Contos de Fadas, que a mulher sempre precisa de um príncipe encantado para ser feliz.

Branca de Neve, em alemão Schneewittchen foi compilado pelos Irmãos Grimm, entre os anos de 1817 e 1822, no livro Contos de Fada para Crianças e Adultos. Apesar de ter várias versões, a mais popularizada foi a do cinema, produzida pela Disney, em 1937. A maioria das versões não traz as três tentativas da madrasta de matar a princesa, ficando apenas na da maçã envenenada, que consegue com sucesso fazer com que a princesa adormeça para que possa despertar ao ser beijada por um príncipe (e não regurgitando a maçã). Interessante é que há verões em que os anões são ladrões, em outra são reis e outra ainda em que são dragões.

Nesta versão, mais atual, Branca era o nome da menina que por anos só conhecia a fazenda do interior onde nasceu. Depois que a mãe morreu, a apelidaram de Branca de Leite. Sim, por causa de sua alergia. O pai também faleceu deixando uma grande herança. A madrasta queria a fortuna só para si e ninguém ficaria em seu caminho. Assim, contratou um assassino para a moça que não teve coragem de matá-la e a deixa perdida na cidade grande. No entanto, para obter a herança, a madrasta precisa do corpo para ter o atestado de óbito, é quando descobre que a adolescente ainda vive na cidade e resolve ela mesma dar cabo na moça, envenenando-a com bolinhos de maçã, falsamente veganos e com muito leite. Para saber como a garota consegue lidar com a situação, convido-os à leitura desta divertida obra.

Ilustrado por Juliana Verlangieri, revisado por Ana Cristina Pontes Nóbrega e com coordenação editorial de Adriana Nunes, A Branca de Leite é uma autopublicação e pode ser encontrado no site C de Coisas, também na versão de áudio livro, gratuita, com as vozes de Adriano Siri, Adriana Nunes, Luciana Amaral, Theo Camanho, Marcello Linhos e Lis Nunes e Trilha original de Marcello Linhos, Direção e montagem: Adriano Siri e Produção C de Coisas.