Xilogravura e Literatura uma experiência estética perfeita

05/04/2019


Ao ler a obra Infantojuvenil Vlado, da carioca Kuri, com ilustrações do artista pernambucano, Pablo Borges, filho do mestre J. Borges, e que é artista desde os 7 anos, foi difícil escolher por onde começar: se pela cativante história da família Novak com seu peculiar animal de estimação ou se pela beleza da Xilogravura que ilustra a obra e é um patrimônio imaterial brasileiro, mais desenvolvido no Nordeste, muito associado à literatura de cordel. E a cominação é perfeita, uma vez que esta arte popular é um traço da herança medieval da cultura portuguesa, embora a provável origem seja chinesa. Na técnica, se talhava a gravura que se pretende imprimir em madeira , depois usa-se um rolo de borracha com tinta que toca somente as partes elevadas do entalhe e se imprime em papel ou pano especial, revelando a figura.

A obra teve a cuidados de curadoria de Katia Gilaberte e Patricia Vasconcelos com projeto gráfico de Eduardo Souza e Gabriela Araújo, lançada pela Caleidoscópio Editora. Traz de volta a cena a poeta Kuri, cujo primeiro livro teve prefácio de Vinícius de Moraes, agora em narrativa, com o livro bilingue português-esloveno, traduzido por Barbara Jursic.

Toda a história começa quando o filho mais velho de 12 anos, Andrej e o mais novo, Denis, de 7 anos, vão em busca de uma aventura na Liubliana, capital da Eslovénia, país onde vivem com os pais e o mais velho descobre uma lagartixa, pela qual se afeiçoa e resolve cria-la como animal de estimação. Até aí, tudo certo, não morasse ele na capital dos dragões, e a querida lagartixa ir se transformando aos poucos num dragãozinho domesticado. Foi um reboliço na família e na cidade quando o descobriram, mas quem não gostaria de ter um mascote assim?

Vlado, o mascote bem erudito e esperto, nos leva a pesquisa da herança medieval da nossa colonização, mas desperta para a curiosidade de conhecer a lenda da Liubliana, cidade que tem estátuas de dragões por todos os lados, pois em sua mitologia acredita-se que as terras eram de um dragão muito feroz, que um dia se apaixonou perdidamente por uma fêmea muito dócil da sua espécie, e geraram o primeiro dragão que gostava de humanos, sendo ele um artista de acrobacias para o público, na famosa ponte dos dragões, acima do rio Liublianica. Os seres mágicos que habitavam o rio, gostaram tanto dele que resolveram adormecê-lo para poder conviver com ele eternamente e assim criou-se o mito de que o dragão um dia voltaria para fazer companhia aos habitantes. Em sua homenagem, a ponte ganhou uma escultura do espécime e passou a ser chamada ponte do dragão.