A conquista do Oeste brasileiro

02/07/2019

Oeste brasileiro, o romantismo da colonização para público juvenil


Um deserto de homens era o Centro-Oeste do Brasil, com apenas 2% da população, por volta de 1920. Conhecemos um pouco da história da povoação de Mato Grosso, a partir da instalação da estrada de ferro Sorocabana, ligando São Paulo a este Estado, com o Programa Marcha para o Oeste, criado por Getúlio Vargas, que levou muitos nordestinos, sobretudo a partir dos anos 50, para ocupar o "Sul", como chamavam o Centro, uma vez que a colonização do país se deu pela faixa litorânea.

E assim, através de um romance real, dos pais da autora, vamos entendendo costumes de uma época e nos valemos das belas palavras de Euclides da Cunha para dizer, o sertanejo é, antes de tudo, um forte! A escritora Mazé Torquato Chotil, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação e da Informação pela Universidade de Paris, onde mora desde 1985, generosamente compartilha sua história de vida, nos permitindo conhecer as dores e alegrias de seus pais, numa narrativa que tem a cadência de trocas de cartas com a mãe, que vai revivendo aos poucos o passado.

Naquela época, os jovens fugiam para casar quando não havia o consentimento da família. E os padres se recusavam a casar os menores de 21, depois de muita discussão familiar, casamento autorizado, o sonho de fazer vida nova no Sul, levou o casal num pau-de-arara, primeiro para São Paulo, o filho de um cangaceiro e a filha de um lavrador, acabaram por voltar ao Nordeste sem ter conhecido a sonhada riqueza, mas a seca, os fez irem para a segunda viagem, desta vez com destino a Dourados, no Mato Grosso.

"Pensei que estávamos ficando loucos de entrar naquele mato. Ninguém que pudesse ajudar em caso de necessidade! Quatro ou cinco lotes mais adiante, nossa terra estava lá de braços abertos para nos acolher. Quando avistamos a casinha de pau-à-pique, teu pai disse que era ali. Chorei. De emoção, de medo do futuro incógnito que esperava bom, mas que poderia também ser mau."

E pra quem gosta de saber como se viravam, sem médicos, poucos e caros farmacêuticos, ficam as receitas das ervas, da medicina natural e das benzedeiras. Não tinha rádio, jornal ou energia elétrica. E foi a plantação de café que foi melhorando aquela vida sofrida até conseguirem mudar para a vila.

Vale a pena conhecer nosso passado e valorizar a vida do trabalhador rural, às vezes esquecemos que os alimentos comprados facilmente num mercado da cidade trazem essas histórias de vida marcantes de brasileiros por nós desconhecidos.

Minha Aventura na Colonização do Oeste
Mazé Torquato Chotil
ADC Editora
120 páginas
R$40,00